Em meio à sessão solene na Aleac, mães de crianças com TEA fazem manifestação: ‘reivindicando direitos’


Sessão solene em alusão ao Dia Mundial de Conscientização do Autismo, celebrado no dia 2 de abril, contou com manifestação de mães que pedem que direitos dos filhos com autismo sejam atendidos. Mães atipicas fazem protesto reivindicando direitos para crianças com TEA em frente à Aleac, em Rio Branco
Aline Pontes/Rede Amazônica
Em meio a uma sessão solene em alusão ao Dia Mundial de Conscientização do Autismo, celebrado na última quarta-feira (2), mães de crianças com transtorno do espectro autista (TEA) fizeram uma manifestação na Assembleia Legislativa do Acre (Aleac) nesta quinta-feira (3), criticando a falta da estrutura para as implementações de políticas públicas.
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Segundo elas, que estavam aprisionadas como uma simbologia da manifestação, a data só é usada para realizar a solenidade, mas as necessidades de crianças autistas continuam sendo negligenciadas pelo poder público.
Uma das mães atípicas que estavam presentes no ato era a Luzanir Figureiredo. Ela é mãe de duas crianças autistas, uma de 5 e outra de 8 anos, e disse que faltam atendimentos mais especializados às crianças, principalmente em unidades escolares, além de dificuldades para adquirir remédios.
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Uma das crianças dela, inclusive, é não-verbal e ela diz que há necessidade de fonoaudiólogo que, segundo ela, aguarda atendimento há três anos.
“Não tem mediador pra cuidar do filho, é um mediador pra cuidar de cinco crianças, e a pessoa não dá conta. Na teoria, falam que tem terapia, que tem médico, mas a gente passa um ano, dois anos esperando por um retorno, tem mãe no grupo que eu participo que está esperando para o retorno da médica e aí a criança fica irritada porque fica sem medicação, [sem] renovar a receita no posto de saúde […] na teoria é muito bonitinho falar que tem terapia, que tem profissional isso e aquilo outro, mas na prática quem vive somos nós, mães que são atípicas, que sabemos que isso não é verdade”, desabafou.
Luzanir Figueiredo é diarista e mãe de duas crianças com TEA; ela estava na manifestação nesta quintna-feira (3)
Aline Pontes/Rede Amazônica
Saana Monteiro, uma das organizadoras da ação, disse que a realidade vivenciada pelas mães atípicas vão além do dia em alusão à conscientização do TEA.
“Temos mães aqui colapsadas, em vulnerabilidade econômica, que estão em fila de espera intermináveis, crianças sem tratamento, tudo que essas mães conseguem até hoje tem que ser por via judicial, porque tudo é fila de espera. E a gente tá reivindicando um direito, porque está na lei. Nós estamos aqui não para escutar mais ladainha que escutamos todos os anos, a gente quer que de fato aconteça alguma coisa, porque essas mães também estão colapsadas, estão adoecidas […] porque não tem tratamento psicológico”, disse.
Outra organizadora do ato, Mirza Costa, também é mãe atípica e conta que as reinvindicações continuam as mesmas.
“Já existem muitas legislações no estado. No entanto, o governo falha, as secretarias e o efeito cascata acontece. Tudo isso prejudica o desenvolvimento das crianças autistas e a qualidade de vida, o direito a uma vida plena dos autistas adultos”, frisou.
Mães de crianças com TEA fazem manifestação e pedem direitos em sessão na Aleac, em Rio Branco
Arquivo pessoal
O deputado estadual Pablo Bregense, que convocou a sessão, disse que a solenidade tinha como foco também apresentar algumas leis feitas este ano, voltadas ao público de mães atípicas e crianças com TEA.
“Vamos levar também a voz dessas mães e desses pais que têm algum tipo de reivindicação a trazer para a Assembleia Legislativa. Nós sabemos que hoje também está acontecendo um ato aqui em frente ao Palácio, e a gente se solidariza com essas mães e com esses pais e aproveitamos também para que venham a nossa Assembleia, para que a gente possa conversar e ver meios”, comentou.
*Colaborou a repórter Aline Pontes, da Rede Amazônica Acre.
Mães de crianças com TEA fazem manifestação e pedem direitos em sessão na Aleac, em Rio Branco
Aline Pontes/Rede Amazônica
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