Ações de Lula vão brecar queda de popularidade ou é tarde demais?

Lula entregando uma cesta para uma eleitoraReprodução

A queda na popularidade do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tem sido associada a fatores econômicos, especialmente à inflação dos alimentos e à percepção de piora no poder de compra dos brasileiros,conforme revelou a pesquisa Genial/Quaest, divulgada nesta quarta-feira (2).

Segundo o levantamento, 56% dos entrevistados afirmaram que a economia piorou nos últimos 12 meses, enquanto apenas 16% notaram melhora.

O relatório também mostra que a desaprovação ao governo atingiu 56%, enquanto a aprovação caiu para 41%. A avaliação negativa subiu para 41% (ante 37% em janeiro), e a positiva caiu para 27% (ante 31%).

A inflação dos alimentos tem sido um dos principais fatores de pressão sobre a percepção popular do governo. Para conter essa alta, o governo anunciou em março de 2025 a redução a zero dos impostos de importação para itens como carne, café, açúcar e milho.

Além disso, adotou outras medidas econômicas, como a liberação do FGTS consignado para trabalhadores da iniciativa privada, permitindo o uso do saldo como garantia para crédito com juros mais baixos, e o envio ao Congresso de uma proposta para isentar do Imposto de Renda quem ganha até R$ 5 mil mensais, reduzindo a tributação para rendas até R$ 7 mil.

O cientista político Rodrigo Prando, da Universidade Presbiteriana Mackenzie, avalia que o governo enfrenta um momento delicado, no qual a economia tem papel central na insatisfação popular.

“A isenção de imposto sobre alimentos, o FGTS consignado e a mudança na faixa do Imposto de Renda são medidas adotadas pelo governo diante de um cenário desfavorável, em que a desaprovação supera numericamente a aprovação. Certamente, entre os três mandatos de Lula, este é o momento mais delicado que ele enfrenta como presidente da República”, afirma.

Prando destaca que os efeitos dessas ações não serão imediatos e dependem da percepção popular. “A redução do preço dos alimentos é fundamental, pois a inflação nesse setor tem afetado a popularidade do presidente. A questão do consignado pode ser um alívio para quem está endividado, e a mudança na faixa do Imposto de Renda tem também um papel estratégico na comunicação do governo, ao destacar a economia gerada para diferentes perfis de trabalhadores. Tudo isso faz parte de uma estratégia de comunicação”, explica.

Ele ressalta que a ausência de uma marca consolidada dificulta a recuperação de apoio. O especialista citou como exemplo o governo FHC, que ficou marcado pela consolidação do Plano Real e a estabilização da inflação.

“Nos dois primeiros mandatos de Lula, sua marca foi a redução da extrema pobreza, o fortalecimento da classe média e a ampliação dos programas sociais. Hoje, ele não tem essa marca consolidada. Além disso, enfrenta uma oposição mais intensa do que nos seus mandatos anteriores. Parte dessa oposição opera fora dos limites da ética e da democracia, utilizando fake news, pós-verdade e teorias da conspiração, o que coloca o governo em uma posição de fragilidade”, acrescenta Prando.

Queda de popularidade de Lula

Lula com jovensReprodução

A pesquisa indica que a perda depopularidade se ampliou entre grupos tradicionalmente favoráveis a Lula,como mulheres e moradores do Nordeste, reforçando o impacto da economia no dia a dia da população.

“Especialistas apontam que a redução no preço dos alimentos, se ocorrer, não será sentida imediatamente. E o governo tem um prazo: a busca pela reeleição. Lula não pode atravessar 2025 em uma posição desfavorável, pois 2026 será um ano eleitoral. Além disso, o ex-presidente Jair Bolsonaro continuará ocupando espaço na mídia, especialmente com o início de seus julgamentos, o que influencia o cenário político”, destaca.

“Diante desse contexto, o governo Lula precisa consolidar uma marca e fortalecer sua posição. As medidas citadas são tentativas concretas de melhorar sua avaliação e entregar resultados percebidos pela sociedade brasileira”, conclui.

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