Tarifas de Donald Trump atingem um dos pilares da economia global


Trocas comerciais entre os países equivalem a 59% do PIB mundial. Tarifas de Donald Trump atingem um dos pilares da economia global
As tarifas de Donald Trump atingem um dos pilares da economia global. As trocas comerciais entre os países equivalem a mais da metade de toda a riqueza produzida no planeta.
A Avenida Paulista, em São Paulo, agora fica mais longe de Wall Street, o maior centro financeiro do mundo, em Nova York. E na verdade são os Estados Unidos que vão se distanciando do mundo todo. O que não é pouca coisa no mapa da economia global.
“Uma nova ordem econômica”, na avaliação de Pedro Brites, professor de relações internacionais da Fundação Getúlio Vargas:
“Essencialmente, se a gente pensa nas últimas três, quatro décadas, o comércio global tem sido um dos pilares da economia internacional. Tanto pelo fato de que ele aprofundou a complementaridade entre economias do planeta inteiro, ou seja, países podendo exportar determinados produtos, importar outros, mas também como reduzir custos de produção”.
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É sobre o resultado das trocas comerciais entre os países que se constrói a expansão das cidades, dos campos agrícolas, que se sustentam os empregos, que se cria a inovação tecnológica, o avanço e até o retrocesso social. O Banco Mundial calcula que as trocas comerciais representam mais da metade da riqueza produzida no mundo. O Brasil ainda tem terreno para ganhar. Aqui, a soma das importações e exportações equivale a 34% do PIB.
E as tarifas de Donald Trump abalam, antes, a própria casa. Juliana Inhasz, professora de macroeconomia do Insper, explica:
“A economia americana passa, com essas novas tarifas, a ter produtos importados mais caros. Essa taxação faz com que o produto importado entre na economia americana menos competitivo, porque a ideia é justamente conseguir gerar essa redução da demanda de importados e uma troca dessa demanda pela busca de produtos locais. Então isso, por si só, já impõe para economia americana um custo maior”.
Tarifas de Donald Trump atingem um dos pilares da economia global
Jornal Nacional/ Reprodução
E ainda que os Estados Unidos se distanciem, o que acontece lá, acontece no mundo. Em dez semanas na presidência, Trump já mudou o ritmo, os planos, a lógica dos centros financeiros do mundo. As principais economias já veem lidando com o risco da alta do custo de vida, das taxas de juros, com o desafio de sustentar o crescimento. E, agora, toda vez que os Estados Unidos se movimentam na direção contrária da globalização, geram uma onda de incerteza que chega a todos os continentes.
“É uma preocupação se vale a pena construir novas indústrias, novos campos de produção, por exemplo. Se você tem essa desconfiança, fica tudo muito volátil”, diz Pedro Brites, professor de relações internacionais da FGV.
“Ninguém sabe exatamente o que vai acontecer de fato e como os países vão reagir a isso. Então, tem uma grande dúvida sobre o crescimento econômico mundial, sobre como que a economia mundial vai de alguma forma se posicionar depois desse momento. É um momento muito diferente”, afirma Juliana Inhasz, professora de economia do Insper.
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