Perto dos 90 anos, Claudette Soares canta Chico Buarque em show no Rio entre bossas, sussurros e ‘covardias’


Claudette Soares apresenta no Teatro Rival Petrobrás o show com músicas de Chico Buarque
Marcelo Castello Branco / Divulgação
♫ OPINIÃO SOBRE SHOW
Título: Claudette canta Chico
Artista: Claudette Soares
Data e local: 1º de abril de 2025 no Teatro Rival Petrobras (Rio de Janeiro, RJ)
Cotação: ★ ★ ★ ★
♬ “Quem não canta sussurra”, gracejou Claudette Soares, após dar voz à tristonha canção Carolina (1967), para a plateia que foi ao Teatro Rival Petrobras na noite de ontem, 1º de abril, assistir à tardia estreia carioca do show Claudette canta Chico (2023).
Presença rara nos palcos do Rio de Janeiro (RJ), cidade onde veio ao mundo em 31 de outubro de 1935, a cantora voltou à terra natal para apresentar o show em que aborda o cancioneiro de Chico Buarque com ênfase no repertório apresentado pelo compositor nos anos 1960.
Perto dos 90 anos, Claudette tirou proveito da voz sussurrante e, com o toque seguro do piano de Leandro Braga, soube seduzir o público que conhecia a trajetória dessa cantora que, após ser projetada na década de 1950 como a Princesinha do baião, migrou nos anos 1960 para o universo da bossa nova – mais afinada com a maciez do canto da artista – e da MPB que irrompeu a partir de 1965.
Entre bossas e sussurros, Claudette Soares cantou Chico Buarque com elegância em show que resultou mais sedutor do que o álbum lançado em março de 2024 para festejar os 80 anos do compositor carioca.
A bossa da cantora saltou aos ouvidos em Bom tempo (1968), samba apresentado pela própria Claudette em festival dedicado ao gênero. Da bossa, a intérprete saltou para a melancolia de músicas como a modinha Até pensei (1968) e a valsa Realejo (1967).
Claudette Soares canta Chico Buarque com o toque refinado do pianista Leandro Braga
Marcelo Castello Branco / Divulgação
Descontraída, Claudette Soares manteve a classe até quando se perdeu na letra da canção Com açúcar, com afeto (1967), erro atribuído pela artista à falta de tempo para ensaiar o show com o pianista Leandro Braga, músico virtuoso, já habituado a dividir a cena com intérpretes do naipe de Ney Matogrosso. Pensa que a plateia do Teatro Rival Petrobras se importou com o tropeço? Qual o quê!
Com o público, o jogo estava ganho para Claudette Soares desde o início do show. Tanto que, confiante, a artista arriscou tons mais intensos na moldura quase dramática de Retrato em branco e preto (Antonio Carlos Jobim e Chico Buarque, 1968) antes de pedir licença em cena a Elis Regina (1945 – 1982) para encarar Atrás da porta (Francis Hime e Chico Buarque, 1972) com dignidade. “Fui covarde”, avaliou Claudette, revelando que preferiu tirar a canção do disco gravado em estúdio com base no show produzido por Thiago Marques Luiz.
Com valentia, Claudette cantou belamente Todo o sentimento (Cristovão Bastos e Chico Buarque, 1987) e imprimiu densidade em Tatuagem (Chico Buarque e Ruy Guerra, 1973). Entre uma música e outra, a artista pediu licença a Maria Bethânia para dar a voz a Olhos nos olhos (1976), canção ausente do álbum Claudette canta Chico.
O disco tem a participação de Chico Buarque em Cadê você (Leila XIV), parceria do compositor com João Donato (1934 – 2023), lançada por Chico em 1987. Como o dueto resultou sem brilho, a abordagem da canção no show soou mais harmoniosa, fechando bem roteiro que, no bis, teve pot-pourri com Primavera (Carlos Lyra e Vinicius de Moraes, 1964), Hoje (Taiguara, 1969) e De tanto amor (Roberto Carlos e Erasmo Carlos, 1971), três canções importantes na discografia de Claudette Soares, cantora que sussurra com bossa.
Claudette Soares canta ‘Atrás da porta’ no show
Marcelo Castello Branco / Divulgação
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