Insolação: risco aumenta depois de quanto tempo de exposição ao sol? Bebida pode agravar a situação?


Em casos graves, a insolação pode causar até a morte. Segundo especialistas, crianças e idosos, são os que mais correm risco de estresse por calor. Saiba como se proteger. Sol intenso e calor podem provocar insolação, queimaduras de pele e desidratração
Werni/Pixabay
🌞 ⚠️ Sair da praia, piscina ou até bloco de carnaval com cor de camarão depois de “torrar no sol” pode ser motivo de trauma e um grande risco para a saúde. Em casos extremos, a insolação pode ser fatal. Por isso, o atendimento médico deve ser imediato.
Mas o risco aumenta depois de quanto tempo de exposição ao sol? Quais sintomas e riscos o problema pode causar? Essas respostas dependem de diversos fatores, de acordo com os médicos ouvidos pelo g1.
A insolação é uma condição séria provocada pelo excesso de exposição ao sol e ao calor intenso. Ela acontece quando a temperatura corporal ultrapassa os 40° C, fazendo com que o mecanismo de transpiração falhe e o corpo não consiga se resfriar. A insolação é bastante associada ao clima quente e seco, mas também pode ocorrer em ambientes úmidos.
“A condição merece atenção especial porque, com o aumento rápido da temperatura corporal, a pessoa acaba perdendo muita água, sais minerais e nutrientes importantes para manutenção do equilíbrio do organismo”, explica a presidente da Sociedade Brasileira de Dermatologia do Rio de Janeiro (SBDRJ) Regina Schechtman.
A insolação é propiciada por fatores como:
Tom de pele (Quanto mais clara a pele, maior o risco. Pessoas mais morenas também podem ter insolação, embora tenham uma proteção natural maior contra os danos da radiação UV, devido à proteção da melanina. Mas essa proteção não é absoluta)
Temperatura do ambiente
Intensidade do sol
Época do ano e localização geográfica
Horário da exposição
Umidade
O uso ou não de alguma proteção adequada, como roupas, chapéu e protetor solar
A dermatologista e integrante da Sociedade Brasileira de Dermatologia – Regional São Paulo (SBD-RESP) Marina Godoi Cintra Bernardino explica que a exposição de duas horas sem proteção alguma já pode causar sintomas leves de insolação, como tontura e mal-estar.
Caso a exposição for prolongada por mais de três a quatro horas, o risco de insolação grave aumenta, levando a sintomas como:
Dor de cabeça
Tontura
Dores musculares e fraqueza muscular
Náusea
Confusão mental
Convulsões
Perda de consciência
Febre alta
Pele avermelhada e seca
Sensação de desmaio iminente
Má coordenação motora
Visão embaçada
Vômitos
⚠️ ATENÇÃO: Os sintomas podem levar de quatro dias a dois meses, dependendo da intensidade e gravidade. Em situações de insolação severa, com queimaduras na pele, podem ocorrer danos permanentes ao organismo.
Para evitar a insolação, queimaduras, envelhecimento precoce e câncer de pele, o recomendável é evitar o horário das 10h às 16h, quando há maior incidência solar.
Os riscos da insolação para a saúde
Aumento excessivo da temperatura corporal, levando à hipertermia. Ou seja, a temperatura do corpo pode ultrapassar 40°C, o que prejudica o bom funcionamento dos órgãos.
Desidratação intensa, podendo levar a uma hipotensão. Ou seja, pressão baixa, tontura, confusão mental e desmaios.
Problemas neurológicos: devido ao superaquecimento cerebral, nos casos graves, a insolação pode causar convulsões, delírios e até coma.
Danos aos órgãos internos: se a temperatura corporal ficar elevada por muito tempo, pode afetar o funcionamento de órgãos importantes como, fígado, rins e coração.
Inflamação na pele
Queimaduras de 1°e 2° graus
Segundo especialistas, crianças e idosos são os que mais correm risco de estresse por calor. Além de terem organismos mais vulneráveis, muitas vezes eles não manifestam a necessidade de ingerir líquidos, o que pode levar à desidratação.
Para afastar problemas futuros, como o câncer de pele, é preciso prevenir desde a infância, evitando a exposição prolongada ao sol, destaca Schechtman.
Tanto a insolação quanto a exaustão térmica são preocupantes e podem levar a morte por alta exposição ao calor:
Insolação: quadro em que a temperatura corporal fica muito elevada, causando a disfunção de diversos sistemas do organismo.
Exaustão térmica (ou exaustão pelo calor): quando há uma perda excessiva de sais e líquidos devido ao calor
Apesar de a insolação ser considerada o caso mais grave, ambas as situações geram risco de morte. Caso não seja tratada, a exaustão térmica pode levar a um quadro de insolação.
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A bebida pode agravar a situação de insolação?
A boa hidratação é fundamental para a saúde e a falta dela quando – favorecida por alguns tipos de bebidas diuréticas – pode agravar a insolação.
O consumo de álcool e o excesso de cafeína podem piorar a desidratação, pois favorecem o aumento da vontade de urinar, o que leva à perda de água e eletrólitos pelo corpo, gerando uma maior dificuldade em regular a temperatura corporal, acrescenta Bernardino.
Quando o indivíduo está com sintomas de insolação, NÃO é aconselhável oferecer bebidas alcoólicas. Dermatologistas recomendam que o álcool seja consumido de forma moderada durante os períodos de muito calor. Na praia, por exemplo, o ideal é beber muita água.
Quais cuidados devemos tomar para não correr o risco de ter insolação?
Confira as recomendações dos médicos consultados pelo g1:
Opte por aproveitar os dias ensolarados em horários mais seguros, como antes das 10h e após as 16h (sobre a vitamina D, Bernardino orienta monitoramento dos níveis de vitamina e, caso seja necessário, um ajuste dietético ou suplementação acompanhada do médico especialista)
Não espere sentir sede para beber água e hidrate-se constantemente. As garrafas térmicas são boas aliadas para manter os níveis de hidratação.
Isotônicos ou soro caseiro ajudam a repor os sais minerais perdidos.
Use roupas adequadas: prefira roupas claras de algodão e linho por exemplo, que ventilam melhor.
Invista roupas com fator de proteção solar (FPS) no tecido.
Use e abuse dos chapéus de aba larga e óculos de sol, com lentes de boa qualidade.
Aplique protetor solar FPS 30 ou superior e reaplique a cada 2 horas.
Caso tenha contato com água ou suor excessivo, reaplique o protetor.
Busque sombra e ambientes ventilados
A prática de atividade física é saudável. Porém, em dias de muito calor e sol excessivo, evite os esforços físicos intensos.
Inclua em seu consumo alimentos ricos em água, como melancia, pepino e laranja.
Cuidado com o exagero em agasalhar os bebês.
Lembre-se de deixar uma garrafa de água fresca e potável para as crianças se hidratarem constantemente.
Os idosos costumas sentir menos sede. Por isso, é preciso monitorá-los para uma hidratação adequada.
⚠️ ATENÇÃO: quem trabalha no sol precisa redobrar os cuidados.
Bernardino destaca que, caso haja sintomas como tontura, fraqueza ou dor de cabeça, é preciso hidratar-se e ir para um local fresco imediatamente.
“Se houver sinais de alerta, como pele quente e seca, confusão mental, batimentos cardíacos acelerados e dificuldade para respirar, é necessário procurar ajuda médica urgente. Chame uma ambulância e inicie medidas de resfriamento corporal, podendo utilizar-se de ventiladores, ar-condicionado e o uso de compressas úmidas e frias. A insolação pode ser perigosa, mas é evitável. Não devemos subestimar os efeitos do calor. Mantenha-se hidratado e proteja-se do sol”, acrescenta a médica.
Cidade do Rio de Janeiro registra aumento de pacientes com problemas ligados ao calor
A Secretaria Municipal de Saúde do Rio de Janeiro (SMS) já verifica um aumento de pessoas procurando as emergências com problemas relacionados ao calor.
Desde o início do ano, até o momento, mais de 5 mil pessoas foram atendidas por problemas ligados ao calor.
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