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Os agentes da PRF costumam fiscalizar o peso das carretas com base em documentos como a nota fiscal das cargas. Mas um recurso que poderia ajudar muito nessa fiscalização está sem funcionar. Acidente entre uma carreta e um ônibus, no fim de 2024 matou 39 pessoas
Reprodução/TV Globo
Os brasileiros que pretendem pegar estrada no Carnaval vão enfrentar um perigo que tem provocado acidentes graves. O desrespeito aos limites de carga.
Em uma estrutura abandonada às margens de uma das rodovias mais letais do país, funcionava um posto de pesagem de veículos na BR-116, em Itambacuri, leste de Minas. O trecho fica a 20 quilômetros do local do acidente entre uma carreta e um ônibus, no fim de 2024, que matou 39 pessoas.
A perícia constatou que a carreta estava com excesso de peso quando tombou e atingiu o ônibus. A Polícia Civil de Minas indiciou o motorista Arilson Bastos Alves por homicídio. Ele está preso. E o dono da empresa de transporte por homicídio, falsidade ideológica e por ter fraudado documentos da pesagem da carga.
A empresa informou que irá se manifestar após ter acesso ao inquérito. E a defesa de Arilson declarou que ele é inocente. Minutos antes do acidente, a carreta passou em frente a uma base da Polícia Rodoviária Federal.
Os agentes da PRF costumam fiscalizar o peso das carretas com base em documentos como a nota fiscal das cargas. Mas um recurso que poderia ajudar muito nessa fiscalização está sem funcionar.
Um posto de pesagem na entrada de Teófilo Otoni está desativado. A região tem um fluxo intenso de caminhões que circulam entre o Nordeste e o Sudeste do país.
“Eles transportam muito esses blocos com o excesso de peso, né? E aí acaba comprometendo toda a segurança devido ao excesso de carga nos freios”, diz Raniele Bezerra, agente da PRF.
Moradores dizem que os acidentes são constantes na região.
“Depois do acidente do ônibus, aconteceram três ou quatro, entendeu?”, comenta o floricultor, Elton Jordão.
Na BR-040, em Ribeirão das Neves, região metropolitana de Belo Horizonte, mais uma balança está fora de operação.
“Já tem uns seis meses que tá nesse abandono. Já roubaram praticamente tudo, né?”, afirma o estudante, Caio Felipe.
Em Patos de Minas, oeste do estado, a pesagem na BR-365 também está desativada. Situação parecida ocorre em outras regiões do país: no Pará, postos abandonados na BR-010, em Mãe do Rio, e na BR-316, em Santa Maria do Pará. A balança está sem funcionar na BR-116, em Feira de Santana, na Bahia. Em São Luís, mais um posto desativado na BR-135. E na BR-277, em Cascavel, no Paraná. Em Linhares, Espírito Santo, não há fiscalização em um posto da BR-101.
A balança está sem funcionar na BR-116, em Feira de Santana, na Bahia
Reprodução/TV Globo
Ao longo de 75.800 quilômetros de rodovias federais em todo o país, a fiscalização por meio de balanças é feita pelo DNIT – Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes – e pela ANTT – Agência Nacional de Transportes Terrestres.
A engenheira de transportes Ana Carolina Simplício diz que carretas com excesso de peso provocam desgastes no asfalto e comprometem a estabilidade do veículo, aumentando o risco de acidentes.
“É uma falta de responsabilidade do condutor, do motorista, da empresa que está trafegando, porque realmente qualquer deslize ali… Por mais que você tenha segurança de amarração, de assegurar ali que aquela carga vai estar intacta sobre o veículo, mas se tratando de excesso, nada está seguro. A gente precisa ter essa fiscalização de forma eficiente e funcionando 365 dias no ano, 24 horas por dia”, explica.
A ANTT declarou que pretende reativar quatro postos de pesagem no prazo de quatro meses a um ano. Já o DNIT afirmou que o contrato com a empresa responsável pelas balanças terminou em julho de 2024, e a empresa que assumiu em janeiro tem 90 dias para iniciar as operações.
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