
Sete tartarugas-verdes foram encontradas mortas na praia do Tabuleiro, em Barra Velha, no último sábado (29). Os animais estavam presos a redes de pesca e foram retirados da água por surfistas da região, mas já estavam sem vida.

Tartarugas são encontradas mortas e presas a redes de pesca em praia de Barra Velha – Foto: Reprodução/ND
Após deixarem os animais na faixa de areia, os surfistas rapidamente acionaram a Univali, por meio do PMP-BS (Projeto de Monitoramento de Praias da Bacia de Santos).
Quando uma equipe de pesquisadores chegou ao local, as tartarugas-verdes, da espécie Chelonia mydas, já estavam sem vida e em estado de decomposição. As carcaças foram recolhidas e encaminhadas para a Unidade de Estabilização de Animais Marinhos da Univali, em Penha.
Morte por emalhe em rede de pesca
Na unidade, a equipe realizou uma avaliação das condições de saúde e exame de necropsia. De acordo com o PMP-BS/Univali, foi constatado de que se tratavam de animais juvenis, todos apresentando boas condições corpóreas.
No entanto, foram observadas marcas compatíveis com apetrecho de pesca em todos os animais. Devido ao avançado estado de decomposição de algumas carcaças, nem todos os exames puderam ser realizados com precisão.
A presença das marcas, porém, sugere que o emalhe acidental em rede de pesca pode ter sido a causa da morte. Segundo o PMP-BS, ao ficarem emaranhados em redes de pesca, os animais não conseguem subir à superfície para respirar, acabam ficando submersos por muito tempo e morrendo por afogamento ou asfixia.
Ainda foram coletados dados biométricos, além de amostras dos órgãos para a realização do exame histopatológico.
Tartarugas-verdes ameaçadas
Segundo o coordenador da Unidade Estabilização de Animais Marinhos da Univali, Jeferson Dick, as tartarugas-verdes estão ameaçadas de extinção. A sobreposição entre o habitat dos animais e a área de pescaria é uma das causas que levou ao estado de alerta.
O caso de Barra Velha, apesar de excepcional pela quantidade de tartarugas mortas, é comum ao longo do litoral catarinense, de acordo com o coordenador.
“É um lugar onde as tartarugas-verdes, juvenis, habitam, se alimentam e se abrigam. Em águas calmas e rasas. Elas procuram alimentos, normalmente, nas pedras. Às vezes no meio de cultivo de mariscos, nesses ambientes que tem bastante produção de alga. E são áreas que, muitas vezes, os pescadores buscam”, relata Dick.
Ao lançar redes de pesca em locais irregulares, entretanto, o risco de atingir animais marinhos é grande. “Às vezes nem é atuação de um pescador profissional. Às vezes é um pescador amador, alguém desinformado, que colocou uma rede num lugar ilegal e que culminou na captura dessa grande quantidade de tartarugas-verdes”, pondera.
Segundo o coordenador, a prática afeta também outras espécies, como as baleias, os golfinhos e as aves marinhas. Dick ainda relata que os animais encontrados mortos nem chegaram à fase reprodutiva – que ocorre por volta dos 15 anos de idade.
“Então esses animais não tiveram nem a oportunidade de se reproduzir, gerar novas proles para manutenção da espécie”, diz.
Conscientização de pescadores
A conscientização de pescadores, mudança dos locais e horários de pesca, são algumas das alternativas para reduzir a captura acidental, de acordo com o coordenador.
“Quando a rede é colocada em águas rasas, próxima a costão, é muito certo que vai haver a captura acidental de outras espécies, que não era a espécie alvo da pessoa que estava pescando”, afirma Dick.
O coordenador ainda reitera que a tartaruga-verde é uma espécie importante para todo o ecossistema, e que sua retirada da natureza gera um grande impacto ambiental.