
O governo federal lamentou a nova taxação de Trump, anunciada nesta quarta-feira (2). As novas tarifas comerciais foram impostas a produtos de diversos países, inclusive o Brasil. Em nota, o Executivo brasileiro destacou que vai manter a postura diplomática em relação ao tema, mas afirmou avaliar “todas as possibilidades de ação para assegurar a reciprocidade no comércio bilateral”.

Novas tarifas de Trump anunciadas nesta quarta-feira (2) vão afetar a economia mundial – Foto: Carlos Barria/Reuters/R7/ND
A nota do governo brasileiro é assinada pelos ministérios das Relações Exteriores e do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, comandado pelo vice-presidente Geraldo Alckmin. O vice-presidente tem liderado as conversas com as autoridades norte-americanas sobre o assunto.
Conforme o novo pacote de taxas, os países serão cobrados de forma diferente e a tarifa para os produtos brasileiros importados pelos EUA será de 10%. Por enquanto, o Brasil tem priorizado uma saída diplomática para o tema, mas nessa terça (1º), Alckmin não descartou uma eventual reação à taxação de Trump — resposta que teria o respaldo do Congresso Nacional (leia mais abaixo).
“Devemos aguardar o que os Estados Unidos vão fazer. E aí, sim, depois de ter conhecimento das medidas, o Brasil vai decidir. Nós temos o dever de proteger e fortalecer a economia brasileira”, declarou Alckmin.
No texto, o governo do Brasil volta a citar a possibilidade de acionar a OMC (Organização Mundial do Comércio) contra a taxação de Trump. A OMC, da qual os dois países fazem parte, é um organismo multilateral responsável por regular o comércio entre os integrantes.

Governo federal lamenta decisão de Trump em aplicar taxas sobre produtos brasileiros – Foto: José Cruz/Agência Brasil
Legislativo autoriza governo brasileiro a reagir após taxação de Trump
O Congresso Nacional analisa, nesta semana, um projeto de lei que autoriza o governo brasileiro a adotar medidas de reciprocidade contra barreiras comerciais impostas por outros países, como a taxação de Trump. O projeto já foi aprovado no Senado e foi enviado para análise na Câmara nesta quarta-feira (2).
O objetivo é proteger setores estratégicos da economia nacional, como o agronegócio e a indústria, de restrições que comprometam sua competitividade no mercado internacional.
A proposta permite que a Camex (Câmara de Comércio Exterior) adote contramedidas contra países ou blocos econômicos que:
- Desrespeitem acordos comerciais assinados pelo Brasil;
- Imponham barreiras ambientais mais rígidas do que as exigidas no próprio Brasil;
- Interfiram na soberania nacional em questões comerciais.
As respostas à taxação de Trump pode incluir restrições comerciais, suspensão de concessões, medidas sobre investimentos e até limitações a direitos de propriedade intelectual. Qualquer sanção imposta deve ser proporcional ao impacto econômico causado ao Brasil.

Indústria brasileira pode sofrer com impacto da taxação de Trump – Foto: Secretaria de Estado de Indústria, Comércio e Serviço/ND
Além disso, o projeto determina que o governo brasileiro, por meio do Ministério das Relações Exteriores, realize negociações diplomáticas para tentar reduzir os efeitos das barreiras impostas. A Camex será responsável por monitorar constantemente os impactos dessas contramedidas e o andamento das negociações.
Medidas protecionistas dos Estados Unidos
A taxação de Trump faz parte de uma estratégia que o presidente tem defendido desde o início de sua campanha para retornar à Casa Branca. Ele argumenta que os Estados Unidos são tratados de forma injusta por seus parceiros comerciais, que impõem barreiras tarifárias elevadas à entrada de produtos norte-americanos.
O republicano sustenta que esse cenário prejudica a indústria local, desestimula investimentos internos e favorece a saída de capital do país. Em resposta, ele assinou uma ordem executiva em 13 de fevereiro determinando que sua equipe econômica estudasse a implementação de tarifas para equilibrar as relações comerciais.
Na semana passada, Trump indicou que pode adotar uma abordagem mais flexível em relação a determinados parceiros. Em uma conversa com jornalistas no Salão Oval, ele afirmou que poderia ser “gentil” e “menos agressivo do que totalmente recíproco”, pois, segundo ele, um modelo estritamente recíproco poderia ser “duro demais para algumas nações”.
*Com informações do R7.