Grupo suspeito de golpes vendendo franquia de empada movimentou mais de R$ 1 milhão, diz polícia


Policiais da 12ª DP (Copacabana) cumpriram quatro mandados de busca e apreensão em endereços na Baixada Fluminense e na Zona Oeste do Rio. Quadrilha que aplica golpe vendendo franquia de empada movimentou mais de R$ 1 milhão, diz polícia
O grupo suspeito de aplicar golpes em interessados em abrir franquias de empadas no Rio movimentou mais de R$ 1 milhão ilegalmente com o esquema, segundo investigação da Polícia Civil, que fez operação contra os crimes nesta quarta-feira (2).
Segundo as denúncias, o grupo prometia as franquias, mas as lojas não eram entregues após os investimentos dos interessados. Pelo menos 10 vítimas registraram queixa.
Policiais da 12ª DP (Copacabana) cumpriram quatro mandados de busca e apreensão em endereços na Baixada Fluminense e na Zona Oeste do Rio.
Luís Matias Araújo, que se apresenta como dono da empresa que negociava as franquias, estava em casa, em um condomínio na Barra da Tijuca no momento da operação. A polícia informou que ele será chamado para prestar depoimento.
Além de Luís Matias, também são investigados Amilcar de Castro Amorim Junior, gerente operacional, e Manoel Edson Matias, irmão de Luís, que, de acordo com a polícia, também chegou a receber dinheiro das vítimas.
Segundo as investigações, Luís Matias nem poderia fazer contratos de franquia, porque a empresa não possui registro no Instituto Nacional de Propriedade Industrial (INPI).
O que dizem as vítimas
O sonho de Regina Machado era empreender. Ela começou a pesquisar várias opções na internet e chegou até essa empresa de empadas.
Em 2022, ela e o marido, Amauri Machado, investiram na compra da franquia e pagaram R$ 55 mil. Só que, até o momento, eles não receberam nada. Nesse áudio, o golpista oferece para o casal um ponto comercial na estação de trem de Caxias, Baixada Fluminense.
“Meu amigo, deixa eu falar com você uma coisa. Por que você não pega esse quiosque aí da estação de Caxias, entendeu? Pensa aí, eu consigo fazer um negócio bacana para você. Muito legal, vai vender muito ali. ‘Aluguelzinho’ barato ali, cara, dois mil, entendeu? Lá, cara, dependendo do valor que você tiver, eu consigo parcelar o restante para você. Você paga com o próprio faturamento. Do lado da tua casa, cara. Do lado da tua casa”, disse Luís em um áudio para o casal.
O casal afirma que toda a compra foi negociada com Luís Matias Araújo, o dono da empresa, e que tudo parecia muito seguro.
“Ele te leva nas lojas físicas que ele tem, são bonitas, a loja é toda organizada, tem os funcionários tudo direitinho. Então, quando você vê, você fica deslumbrado. Juntei durante 5 anos para poder dar um trabalho para ela, porque eu já tenho o meu e ele levou nosso sonho embora”, disse Amauri, que trabalha como motorista de caminhão.
Outra vítima, que não quis se identificar, lamenta pelo prejuízo sofrido pelo golpe.
“Você pensa: ‘nossa, agora você vai ter mais uma renda, a família vai ter mais uma renda, você vai conseguir realizar seus sonhos, você vai conseguir dar uma vida melhor para os seus filhos’. Quando você vê, na verdade, tudo que você tinha foi levado”.
O que dizem as investigações
Luís Matias se apresenta como empreendedor, mas tem 19 registros na polícia por estelionato, ameaça e difamação.
Reprodução/TV Globo
A polícia ainda apura quantas lojas existem, quantas são administradas por Luís Matias e quantas foram repassadas para outras pessoas. Nas redes sociais, Luís Matias se apresenta como empreendedor, mas tem 19 registros na polícia por estelionato, ameaça e difamação.
De acordo com as investigações, o primeiro registro do golpe foi encontrado em 2012, quando um homem do estado de Goiás pagou R$ 105 mil por uma franquia.
Em alguns casos, as vítimas não recebiam nada do que havia sido prometido. Em outros, Luís até entregava o ponto comercial, só que com problemas de documentação ou com dívidas no imóvel.
Em uma ação, a vítima pagou R$ 280 mil para adquirir duas franquias: uma em um shopping na Barra da Tijuca e outra no metrô da Pavuna, Zona Norte. A loja do shopping tinha uma ação de despejo. Na Pavuna, a franquia funcionou por 35 dias e depois também foi fechada por falta de pagamento de aluguel.
“Vamos agora, através do setor de inteligência, analisar todo esse material que foi arrecadado e a gente pretende, numa segunda fase, aprofundar essa investigação até com uma quebra de sigilo bancário e fiscal. São diversos estelionatos, a gente tem cerca de 10 vítimas e, com a investigação aprofundada, ele também pode responder pelos crimes de associação criminosa e lavagem de dinheiro”, explicou o delegado Ângelo Lages.
Os franqueados dizem que Luís Matias promete reembolso, mas apresenta cheques sem fundos.
“Isso foi em 2019 e, de lá para cá, meu prejuízo já ultrapassou os R$ 500 mil, numa hora que eu estava recém-viúva, tentando fazer alguma coisa para o meu filho montar e nos ajudar. Graças a esse senhor, nada foi possível. Muito, muito doído porque eu já sei hoje que não sou só eu, outras pessoas também, como eu, outras pessoas com sonhos, outras pessoas que investiram toda sua economia”, explicou outra vítima.
A TV Globo tentou contato com Luís Matias de Araújo, Amílcar de Castro Amorim Junior e com o irmão de Luís, Manoel Edson Matias, mas não obteve retorno.
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