Policial penal suspeito de facilitar entrada de celulares em presídios é solto, no Ceará


José Ramony Emanuel de Melo Costa estava preso preventivamente desde o dia 1º de novembro. Policiais acharam vários celulares e R$ 40 mil na casa do policial penal. Policial penal suspeito de entregar celular a presos se defende em audiência de custódia
O policial penal José Ramony Emanuel de Melo Costa, de 29 anos, que estava preso desde outubro, saiu da prisão onde estava por determinação da Justiça cearense. Ele é ex-diretor de presídios e suspeito de facilitar a entrada de celulares para detentos de unidades prisionais da Região Metropolitana de Fortaleza.
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José Ramony segue afastado das funções e passou a ser monitorado por tornozeleira eletrônica. As informações foram repassadas pelo advogado de defesa dele, Kaio Castro.
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“O Tribunal de Justiça, através de decisão à unanimidade de três desembargadores, concedeu ordem de habeas corpus substituindo a prisão preventiva por medidas cautelares diversas da prisão. Em resumo, um dos pleitos da defesa foi atendido, no qual foi demonstrado a ofensa aos ditames da razoabilidade e da proporcionalidade, pois não se justifica a prisão preventiva baseada apenas na repercussão social na mídia”, disse o advogado.
O policial penal foi oficialmente afastado do cargo em novembro pela Controladoria Geral de Disciplina dos Órgãos de Segurança Pública e Sistema Penitenciário (CGD).
O afastamento do servidor público foi uma medida preventiva para evitar a prática de novas infrações e impedir que o servidor interfira nas investigações. A decisão emitida pelo controlador-geral, Rodrigo Bona Carneiro, foi tomada no dia 8 de novembro e publicada no Diário Oficial do Estado seis dias depois.
Além do afastamento preventivo, o controlador determinou a instauração de um procedimento administrativo disciplinar contra Ramony e definiu a equipe que vai apurar o caso.
Policial penal preso
Policial penal é preso suspeito de entregar celulares a presidiários
Reprodução
Ramony foi preso no dia 31 de outubro após ser convidado para um evento em um presídio. Ele foi capturado no intervalo para café e lanche, conhecido como coffee break.
Após a refeição, ele foi retirado e levado para a sala da direção, onde policiais civis e penais o aguardavam para prendê-lo. Lá, ele recebeu voz de prisão.
Além do mandado de prisão temporária, a polícia cumpriu um mandado de busca e apreensão contra o ex-diretor. Na ocasião, foram apreendidos diversos aparelhos celulares, mais de R$ 40 mil em espécie, além de um carro de luxo do policial. O agente foi autuado por corrupção passiva majorada e associação criminosa.
Policial penal suspeito de entregar celulares para presos passa por audiência de custódia.
No dia seguinte, ele passou por uma audiência de custódia (veja no vídeo acima), ocasião em que teve a prisão temporária convertida em preventiva. Durante a audiência, ele negou as acusações e afirmou que o dinheiro encontrado com ele seria para o conserto do carro.
“Esse dinheiro eu ia destinar ele para pagar o conserto do meu carro, que ele tá com vazamento de óleo, enfim, trocar o óleo do câmbio. Esse dinheiro que estava lá era para isso. […] Eu não sou criminoso, eu não sou bandido”, disse o agente, aos prantos.
Juiz viu uso de prestígio para cometer crime
Para o juiz, Ramony aproveitou do prestígio na Secretaria da Administração Penitenciária e Ressocialização (SAP), “inclusive entrando e saindo das unidades sem se submeter as vistorias”, para ingressar com os aparelhos ilícitos.
“Somado a esses celulares apreendidos no momento da prisão, causa também estranheza a quantidade de dinheiro encontrado na casa do preso”, disse o juiz.
Foram encontrados R$ 3 mil no carro em que Ramony estava;
R$ 18,3 mil no guarda-roupa do quarto do casal;
R$ 18 mil em uma maleta no escritório;
R$ 5 mil reais na gaveta da sala;
R$ 1 mil em outro quarto.
“Então, a princípio, são elementos que comprovam que há realmente o envolvimento do autuado [o policial penal suspeito dos crimes] nos fatos imputados. Inclusive, foi corroborado por vários depoimentos já acolhidos anteriormente às medidas decretadas”, acrescentou o juiz.
Polícia apreendeu R$ 40 mil na casa de ex-diretor de presídios que foi preso por facilitar entrada de celulares para detentos em unidades prisionais do Ceará.
SAP/ Divulgação
Trajetória
Ramony Melo é natural de Russas (CE). Ele foi admitido na Secretaria da Administração Penitenciária e Ressocialização (SAP) em agosto de 2021. Conforme o portal Ceará Transparente, atualmente o salário bruto dele é de R$ 14.422,94 e o líquido de R$ 11.016,13.
Em pouco mais de três anos de carreira, o policial já foi diretor de, ao menos, três unidades prisionais da Grande Fortaleza. A mais recente delas é a Unidade Prisional Agente Penitenciário Luciano Andrade Lima (UP-Itaitinga1), de onde ele foi exonerado do cargo no dia 17 de outubro. A exoneração dele foi publicada no Diário Oficial do Estado (DOE) da última quarta-feira (30).
O agente também foi diretor da Unidade Prisional Professor Clodoaldo Pinto (UP-Itaitinga2) e em 2023 atuou como chefe de equipe da Unidade Prisional de Segurança Máxima do Estado do Ceará (UP-Máxima), em Aquiraz, que abriga presos de alta periculosidade ou que correm alto risco.
O agente ostenta nas redes sociais para seus mais de 20 mil seguidores o dia a dia de trabalho e as viagens internacionais que fez para destinos como França, Suíça e Itália. Em um desses passeios, realizado em outubro deste ano, ele noivou com uma médica em Paris. O vídeo do pedido de casamento foi divulgado pelo policial. Após a prisão dele, o perfil foi fechado.
Ex-diretor de presídios investigado por facilitar entrada de celulares para detentos ostentava nas redes sociais viagens pela Itália, França e Suíça.
Instagram/Reprodução
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