
Cientistas e pesquisadores de uma universidade no Reino Unido lançaram um projeto inovador que utiliza cães para identificar e auxiliar no combate a doenças pulmonares e outras condições. Entre as descobertas mais notáveis, está a habilidade desses cães em “farejar” a fibrose cística, a doença genética hereditária mais comum do mundo.

Cachorros são treinados para farejar a fibrose cística – Foto: Reprodução/Medical Detection Dogs/ND
Cachorros são treinados para farejar doença genética
A fibrose cística é uma doença genética causada por uma proteína defeituosa, que faz com que o muco se acumule nos pulmões e em outros órgãos, resultando em infecções crônicas que pioram com o tempo.
Segundo o portal The Guardian, há 80 anos a maioria dos pacientes com fibrose cística não chegava a maioridade. No entanto, com o avanço da tecnologia e o desenvolvimento de medicamentos moduladores, muitos pacientes agora têm a chance de viver até a velhice. Porém, esse progresso também trouxe novos desafios.
A professora Jane Davies, do Imperial College, comentou que sua equipe, com o apoio do Cystic Fibrosis Trust, realizou pesquisas nas quais cães demonstraram a capacidade de detectar amostras cultivadas em laboratório contendo a bactéria Pseudomonas.
Essa bactéria pode desencadear pneumonia, infecções do trato urinário e septicemia, representando um problema grave para pacientes com fibrose cística.
Como parte dos testes, cães fornecidos pela instituição de caridade Medical Detection Dogs foram levados para uma sala de testes, onde amostras foram colocadas em suportes na altura da cabeça dos animais.
Os suportes continham pseudomonas, outras bactérias ou nenhuma bactéria. Os cães percorriam a sala farejando cada amostra e, ao detectar as pseudomonas, sentavam-se.
Cerca de um milhão de pessoas morre anualmente no mundo devido a infecções microbianas, com o número podendo aumentar nos próximos 25 anos.
Dados recentes sugerem que os problemas relacionados à resistência estão diminuindo entre menores de cinco anos. No entanto, entre os maiores de 70 anos as taxas de mortalidade aumentaram 80% desde 1990.
“Na luta contra a resistência antimicrobiana, precisaremos de toda a ajuda possível. E esses cães podem ser aliados perfeitos nessa batalha”, afirmou Davies.