Rover chinês detecta evidências de antigas margens oceânicas em Marte


O rover, que operou entre maio de 2021 e maio de 2022, percorreu cerca de 1,9 km em uma área que exibe características de superfícies que sugerem uma antiga linha costeira. Ilustração mostra Marte há 3,6 bilhões de anos, quando um oceano pode ter coberto metade do planeta. Estrelas marcam locais dos rovers Zhurong (China) e Perseverance (EUA).
Robert Citron/Handout via REUTERS
Dados de radar de penetração de solo obtidos pelo rover chinês Zhurong revelaram evidências enterradas sob a superfície marciana do que parecem ser praias de um grande oceano que pode ter existido há muito tempo nas planícies do norte de Marte.
As descobertas são as mais recentes evidências indicando a existência desse hipotético oceano, chamado Deuteronilus, cerca de 3,5 a 4 bilhões de anos atrás, época em que Marte — agora um planeta frio e desolado — possuía uma atmosfera mais espessa e um clima mais quente.
Um oceano de água líquida na superfície de Marte, segundo cientistas, pode ter abrigado organismos vivos, assim como os mares primordiais da Terra.
O rover, que operou entre maio de 2021 e maio de 2022, percorreu cerca de 1,9 km em uma área que exibe características de superfícies que sugerem uma antiga linha costeira. Seu radar de penetração de solo, que transmitiu ondas de rádio de alta frequência para o chão, que refletiram as características do subsolo, sondou até 80 metros abaixo da superfície.
As imagens de radar detectaram cerca de 10 a 35 metros de camadas subterrâneas espessas de materiais com propriedades similares às da areia, todas inclinadas na mesma direção e em um ângulo semelhante ao das praias da Terra, logo abaixo da água, onde o mar encontra a terra. Os pesquisadores mapearam essas estruturas em 1,2 km ao longo da trajetória do rover.
“A superfície de Marte mudou dramaticamente ao longo de 3,5 bilhões de anos, mas, usando o radar de penetração de solo, encontramos evidências diretas de depósitos costeiros que não eram visíveis da superfície”, disse o cientista planetário da Universidade de Guangzhou, Hai Liu, membro da equipe científica da missão chinesa Tianwen-1, que incluiu o rover.
Na Terra, depósitos de praia desse tamanho teriam precisado de milhões de anos para serem formados, segundo os pesquisadores, sugerindo que, em Marte, havia um corpo d’água grande e de vida longa, com ação de ondas que distribuíam sedimentos levados até ele por rios que fluíam das terras altas próximas.
“As praias teriam sido formadas por processos similares aos da Terra — ondas e marés”, afirmou Liu, um dos líderes do estudo publicado nesta segunda-feira na revista Proceedings of the National Academy of Sciences.
“Oceanos como esses teriam influenciado profundamente o clima de Marte, moldado sua paisagem e criado ambientes potencialmente adequados para que a vida surgisse e prosperasse.”
“Costas são ótimos locais para procurar evidências de vidas passadas”, disse o cientista planetário e co-autor do estudo, Michael Manga, da Universidade da Califórnia, em Berkeley.
“Acredita-se que a vida mais antiga na Terra tenha começado em locais como esse, perto da interface do ar e da água rasa.”
O rover explorou a parte sul de Utopia Planitia, uma grande planície no hemisfério norte de Marte e pesquisadores descartaram outras possíveis explicações para as estruturas que o Zhurong detectou. 
A Terra, Marte e os outros planetas do sistema solar foram formados há cerca de 4,5 bilhões de anos. Isso significa que o Deuteronilus teria desaparecido em aproximadamente 1 bilhão de anos de existência de Marte, quando o clima do planeta mudou drasticamente. Segundo os cientistas,  parte da água pode ter se perdido no espaço, mas grandes quantidades podem ter ficado presas no subsolo. 
Um estudo publicado no ano passado, com base em dados sísmicos obtidos pela sonda robótica InSight, da Nasa, descobriu que um imenso reservatório de água líquida pode estar localizado nas profundezas da superfície marciana, dentro de rochas ígneas fraturadas. 
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