Mulher que descobriu gravidez horas antes do parto teve síndrome de Hellp e eclâmpsia; entenda as complicações


Mariane Rodrigues descobriu a gravidez quando estava com cerca de oito meses de gestação e precisou passar por uma cesariana de emergência. Ela estava de férias no Tocantins quando o caso aconteceu. Mariane Rodrigues e filho Mateus
Montagem/TV Globo/Arquivo Pessoal
Durante a gravidez silenciosa, Mariane Rodrigues de 35 anos foi diagnostica com duas complicações, a síndrome de Hellp e eclâmpsia. Ela descobriu que ia iria ser mãe pela terceira vez horas antes do parto quando estava com cerca de oito meses de gestação. Por causa da síndrome, a assistente administrativa chegou a ter hemorragia.
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Mariane contou que teve alta do hospital no último fim de semana, mas ainda não pôde viajar de Palmas para a cidade onde mora, no Mato Grosso, devido às complicações do parto.
“Tive sérias complicações, fui diagnosticada já na situação em que eu estava com eclampsia e síndrome de Hellp, que é um grau mais elevado. E foi a luta pela vida. Tive hemorragia, tive que tomar bolsa de sangue, mas graças a Deus tudo deus certo. Fiquei três dias na UTI. O Mateus nasceu saudável, lindo. Devido, todo o quadro complicado, precisarei procurar um cardiologista e nefrologista”, disse.
Já a Síndrome de Hellp é uma doença rara que acontece a partir do 5º mês de gestação, ela gera pressão arterial elevada durante a gravidez, no dia do parto ou até depois. Essas complicações podem provocar lesões nos rins, fígado e cérebro da mãe e do feto.
O termo “Hellp” vem da sigla H, de hemólise, que é a destruição das hemácias. EL, a elevação das enzimas hepáticas e LP, que são as plaquetas baixas. A síndrome é também uma complicação da eclâmpsia. O ginecologista e obstetra, Cairo Soares da Silva, explicou que essa complicação é ainda mais grave quando está relacionada à pré-eclâmpsia.
“Além da pressão alta, a gestante acaba sofrendo uma sobrecarga que afeta principalmente o fígado e células do sangue. Resulta em queda das plaquetas, lesão no fígado, hemólise. Trata-se de uma complicação grave, com necessidade de internação por vezes em Unidade de Terapia Intensiva. Pode resultar em acidente vascular cerebral, hemorragias, insuficiência hepática, insuficiência cardiorrespiratória e risco de vida para mãe e feto”, contou.
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A médica ginecologista Larissa Caciano explicou no programa Encontro, da TV Globo, que a pré-eclâmpsia pode ser desenvolvida quando a gestante desenvolve uma hipertensão, conhecida como pressão alta, depois de 20 semanas. Foi esse o sintoma que Mariane apresentou antes de passar mal e ser levada para o hospital, no Tocantins.
“Se na gestão ela começa a desenvolver uma hipertensão depois de 20 semanas a gente chama isso de pré-eclâmpsia. Quem é hipertensa crônica, já tinha hipertensão antes, pode juntar esse quadro com uma pré-eclâmpsia. Ela pode estar associada com algumas alterações, alterações renais, hepáticas, inchaço e se a gente tem um quadro mais complexo, mais grave, evolui para quadros neurológicos mais graves, a gente tem a eclâmpsia”, contou.
Como prevenir essas complicações?
Durante a gestação a melhor forma de prevenir essas doenças é por meio do pré-natal, que faz um rastreio de possíveis fatores de risco, segundo o obstetra Caio Soares. No caso de Mariane não houve esse acompanhamento, pois ela descobriu a gravidez horas antes de realizar o parto, quando estava no oitavo mês da gestação.
“Durante o pré-natal sempre se investigam fatores de risco para esta doença são exemplos: história de pré-eclâmpsia em uma gestação anterior, hipertensão arterial crônica, mãe ou irmã com histórico de pré-eclâmpsia, obesidade, diabetes, pacientes com Lúpus, gestação múltipla, idade superior à 40 anos, primeira gestação. Além disso, entre 12 e 16 semanas pode-se realizar um exame de ultrassonografia com doppler de artérias uterinas. Pode-se prevenir que o pior aconteça, seja por um pré-natal mais rigoroso e atento, seja pelo uso de ácido acetil salicílico durante a gestação. Porém, para prevenir, todas estas coisas precisam ser avaliadas”, explicou o médico.
Segundo Caio a pré-eclâmpsia pode ser controlada com mudanças no estilo de vida, como prática de exercícios físicos e boa alimentação. Também podem ser prescritos por um obstetra remédios anti-hipertensivos.
Já em casos graves da síndrome de Hellp é necessário verificar as condições da mãe e do feto. O médico explica é necessário “estabiliza-los e prepara-los para o nascimento o quanto antes, pois o tratamento definitivo é o parto”. Em muito casos são realizadas internações em unidade de terapia intensiva, transfusão de plaquetas, prevenção de convulsão e anti-hipertensivos endovenosos.
Uma surpresa nas férias
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Reprodução/Arquivo pessoal
Mariane e a família são tocantinenses, mas vivem em Querência (MT) há três anos. Ela, o marido Gerôncio Jean e o filho Pedro, de 2 anos chegaram a São Salvador do Tocantins no início de dezembro de 2024. No dia 3 de janeiro, eles iriam voltar para o Mato Grosso, mas a assistente administrativa teve convulsões.
Os médicos de São Salvador realizaram exames e descobriram que a assistente administrativa estava grávida e iria precisar de uma cesariana com urgência. A notícia da gravidez foi uma surpresa para toda a família, mas principalmente para Mariane que não apresentou sintomas e mudanças comuns da gestação.
“Até então eu não tinha sintomas de gestação, vida social normal, trabalho em uma empresa privada, trabalhando normalmente, rotina de casa normal, filhos, marido! O que percebi desde o início das minhas férias foi a pressão alta, algo que nunca tive, porém achei que fosse calor, tempo quente. Serve de alerta para todas as mulheres”.
Além do pequeno Mateus, Mariane também tem outros dois filhos, João Neto de 18 anos e Pedro de 2 anos.
João Neto, de 18 anos, e Pedro, de 2 anos,filhos de Mariane e Gerôncio
Reprodução/Arquivo Pessoal/Mariane Rodrigues
Gestão silenciosa
Em entrevista ao g1 a ginecologista Adriana Vieira e a obstetra e ginecologista Veruska Pinheiro do Amaral explicaram como é possível algumas mulheres não apresentarem sintomas comuns da gestação.
Segundo Veruska nesses casos, a gestação não é sentida ou identificada pela mulher, geralmente descoberta no terceiro trimestre da gravidez ou até mesmo no momento do parto. As pacientes até sentem alguns sintomas, mas não relacionam com a gravidez.
“Mesmo as pacientes que sentem náuseas, dor abdominal, cansaço ou sonolência excessiva, esses sintomas não são específicos de gravidez, podendo ser atribuídos a algumas situações como TPM, intoxicação alimentar, viroses, entre outras condições”.
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Já o sangramento que acontece na pausa do ciclo de 21 dias do anticoncepcional pode acontecer mesmo quando a mulher está grávida.
“Quando a gente para de tomar o anticoncepcional, o útero descama um pouquinho. Mesmo que você esteja grávida, isso pode acontecer pela privação hormonal. Então, às vezes, a paciente está usando contraceptivo, engravidou pela falha do remédio ou falha dela mesma. E aí, acaba menstruando porque está dando as pausas”, explicou Adriana.
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