
O governador de Goiás, Ronaldo Caiado (União Brasil-GO), lançou nesta sexta-feira (4) sua pré-candidatura à Presidência da República e temcomo plano B para compor a chapa osenador Sergio Moro (União Brasil-PR).
Conforme apurou o Portal iG, caso não consiga viabilizar um vice de confiança do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL-RJ), ele pedirá ao ex-juiz para fazer parte da sua campanha.
A estratégia de Caiado considera a possibilidade de Bolsonaro não conseguir concorrer à eleição de 2026. O governador goiano avalia que o ex-presidente terá que apoiar um nome e que se apresenta como o mais preparado para representar o campo conservador.
Segundo aliados, ele está disposto a compor com um nome bolsonarista na vice-presidência, repetindo o modelo adotado em São Paulo, onde o prefeito Ricardo Nunes (MDB-SP) aceitou o coronel Melo Araújo (PL-SP) como vice,por indicação do ex-presidente.
Apesar da tentativa de aproximação, o entorno de Bolsonaro não demonstra disposição em apoiar Caiado. A avaliação do grupo é que o governador goiano atua de forma independente e não representa o bolsonarismo de maneira integral.
“O entendimento é que o governador de Goiás não é bolsonarista, mas ‘caiadista’, ou seja, defende seus próprios interesses”, afirmou uma fonte próxima ao ex-presidente.
Ainda segundo essa pessoa, a relação de Caiado com Bolsonaro sofreu desgastes durante a pandemia da Covid-19 e as eleições municipais de 2024.
“E ainda lançou pré-candidatura sem defender que Bolsonaro possa concorrer. Ele está contando com a prisão do nosso líder. Não é confiável”, completou.
O Portal iG procurou a senadora Damares Alves (Republicanos-DF), que reforçou sua defesa ao capitão da reserva. “Bolsonaro é plano A, B e C”, resumiu.
Sergio Moro plano B
Caso a aproximação com Bolsonaro não se concretize, Caiado aposta em Sergio Moro como alternativa. A escolha leva em conta a visibilidade nacional do senador e sua base eleitoral. Procurado pelo iG, o ex-juiz da Lava Jato respondeu que seu “plano é regional”.
Questionado sobre a possibilidade de ser vice por estar na disputa pelo governo do Paraná, Moro afirmou que “vai tomar essa decisão mais à frente. No momento, está focado no mandato no Senado Federal”.
Caiado e sua inelegibilidade

A pré-candidatura de Caiado ocorre em meio a questionamentos judiciais.Ele foi condenado em primeira instância pela Justiça Eleitoral de Goiás a oito anos de inelegibilidade por abuso de poder político nas eleições municipais de 2024.
A juíza Maria Umbelina Zorzetti entendeu que Caiado utilizou a estrutura do Palácio das Esmeraldas, sede do governo estadual, para realizar eventos de campanha em apoio ao prefeito eleito de Goiânia, Sandro Mabel.
A sentença também cassou o registro da chapa de Mabel e de sua vice, Cláudia Lira, e aplicou multas aos três envolvidos.
A condenação, contudo, ainda não é definitiva. Como se trata de uma decisão de primeira instância, cabe recurso ao Tribunal Regional Eleitoral de Goiás e, posteriormente, ao Tribunal Superior Eleitoral. Dessa forma, a inelegibilidade imposta a Caiado não tem efeitos imediatos até o trânsito em julgado da ação.