Professor ‘vira’ Viviane Araújo e brilha à frente de bloco inclusivo


Fã da rainha de bateria do Salgueiro, Marco Aurélio Nascimento se veste da musa e sai à frente de cortejo que desfila na Faetec de Quintino, Zona Norte do Rio. Professor ‘vira’ Viviane Araújo e brilha à frente de bloco inclusivo
Apaixonado por carnaval, todo ano o professor de artes e coordenador da Escola de Teatro da Faetec de Quintino, Zona Norte do Rio, Marco Aurélio Nascimento, “vira” Viviane Araújo — rainha de bateria da Acadêmicos do Salgueiro — e coloca um bloco inclusivo na rua da unidade de ensino. O objetivo é dar boas-vindas aos novos estudantes e comemorar a folia do momo.
O ‘Bacantes da Folia’ reúne alunos — de todas as idades e PCDs —, professores e servidores da unidade uma vez ao ano.
Marco Aurélio Nascimento se fantasia de Viviane Araújo
Arquivo pessoal e AgNews
O g1 acompanhou toda a preparação do coordenador e o desfile. Entre uma maquiagem e outra, até ficar pronto, o coordenador conta como surgiu a ideia do bloco.
“Ela é uma mulher guerreira, fantástica, um ícone. Então, em 2019, quando os alunos propuseram a ideia, eu pensei: ‘quero me fantasiar de Viviane’. Desde então, todo carnaval eu faço alusão a ela. Neste ano, a fantasia é de estrela. Ela está se tornando cada vez mais estrela nas nossas vidas. Então, foi uma maneira de homenageá-la neste ano”, conta Marco.
O professor Marco Aurélio fantasiado de Afrodite
Arquivo pessoal
Marco lembra das últimas fantasias usadas durante os desfiles.
“Já sai fantasiado de Afrodite quando ela estava grávida do Joaquim e escrevi o nome dele na minha barriga; já sai de leoa quando ele nasceu. Eu fico tentando acompanhá-la para e homenageá-la.”
Segundo Marco, o “Bacantes da Folia” tem o objetivo de integrar os alunos antigos e novos. Atualmente, o curso de teatros da Faetec tem quase 100 alunos, na sua grande maioria idosos e PCDs.
“Dar aulas para PCDs, idosos, autistas e etc, é dar aula para uma pessoa que é supostamente normal. Todos nós temos características especificas. Tudo é oportunidade de amadurecimento e crescimento. Trabalhamos com pessoas neurotípicos e neurodivergentes”, diz o professor, que completa:
Marco Aurélio Nascimento se fantasia de Viviane Araújo
Arquivo pessoal
“Já tive alunas cegas, trabalhei teatro físico com cegos e foi uma experiência fantástica para nós e os outros alunos. Temos experiencias fantásticas com quem é diferenciado e os ditos normais. Eu acho que a arte é igual feijão com arroz: básico. Todo mundo tem alguma coisa para botar para fora e a arte é um caminho de encontro, troca e evolução.”
Vestido de Viviane Araújo, Marco vai para a folia. No pátio da Escola de Teatro, com o sol a pino, ele é recebido com aclamação por alunos e professores.
“Chegou a hora de botar o bloco na rua”, diz o coordenador, que é ovacionado aos gritos de :‘Viviane, Viviane, Viviane’.
Alunos, professores e servidores da Faetec no desfile do bloco ‘bacantes da folia’
Felipe Corrêa/Faetec
Em seguida, ele lidera o cortejo, que neste ano teve a presença de 15 ritmistas da escola de samba mirim Aprendizes do Salgueiro.
Bloco inclusivo
Uma das alunas, que foi vestida de pombagira, é a aposentada Maria da Glória de Oliveira de 67 anos. Ela conta que decidiu fazer aulas de teatro e coral para passar o tempo. Esse foi o primeiro ano desfilando no local.
“Eu comecei neste ano e estou achando tudo muito maravilhoso. Tudo isso faz parte da arte”, brinca.
Maria da Glória de Oliveira é uma das aulas de teatro da Faetec
Rafael Nascimento/g1
Já Tamires de Fátima Santana da Silva, a Thamy Santana, está na Faetec desde 2022, quando começou a cursar interpretação. Hoje, após a conclusão do curso, ela trabalha na unidade de ensino.
“Eu amo esse bloco. Eu entrei como aluna, em 2022, e cursava interpretação. Desde 2023 eu estou no bloco. Esse é o meu pré ou pós carnaval dependendo da data que cai. Esse é o momento de integração entre todos os alunos, professores e funcionários”, conta a mulher que carrega o estandarte do bloco.
“A arte e o teatro levam a emoção. É energia para nossas vidas. Esse bloco representa unidade, integração e inclusão. Até porque, temos alunos atípicos junto com a gente”, completa Tauana Brito, que cursa teatro.
O ‘bacantes da folia’ desfila pela Faetec de Quintino
Felipe Corrêa/Faetec
A aluna Victoria Leal Barreiras, que tem hipersensibilização e TDHA, cursa contação de história. Ela conta que a inclusão é importante para uma integração sem preconceito.
“É muito inclusivo. Eles trabalham com muitos alunos PCDs e isso é incrível. Sou autista, tenho hipersensibilização e me sinto muito à vontade aqui. É maravilho”, conta.
E no final do bloco, após quase uma nora de desfiles pelas vielas da Faetec, Marco Aurélio sentencia:
“É uma satisfação do dever cumprido, é uma felicidade de perpetuar a cultura do carnaval. que a gente continue levando a alegria do carnaval. E fiquem de olho, em 2026 teremos mais uma surpresa”.
Bloco contou com a presença de ritmistas da Escola de Samba Mirim Aprendizes do Salgueiro
Felipe Corrêa/Faetec
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