Funk gospel também é adoração, diz MC do hit viral ‘Tropa de Jesus’


MC Jamil conta que, no início, tinha vergonha de falar que cantava funk gospel, por ser um dos únicos no mercado. Série do g1 mostra como gospel vai além do louvor de adoração. Os vários ritmos da música gospel
Há 13 anos, quando gravou sua primeira música, “Jesus é a salvação”, MC Jamil nem sonhava com a vida que tem hoje. O artista gospel, descoberto por acaso, lança seu primeiro EP nesta quinta-feira (27).
O novo projeto “Jesus é tudo em mim” tem 5 faixas de funk e trap. “A voz era até ruim, melhorei demais, graças a Deus”, se diverte Jamil, ao relembrar seu início, em entrevista ao g1.
“Eu não tinha o sonho de cantar ainda, não tinha carreira na área gospel, nada disso. Nunca passou pela minha cabeça que eu me tornaria um cantor de funk gospel, de trap gospel.”
Nesta semana, o g1 traz artistas de várias vertentes musicais dentro da música gospel, mostrando que o gênero vai além do louvor de adoração e se mistura com diversos ritmos e batidas.
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MC Jamil
Reprodução/Instagram
Jamil, que perdeu o pai aos 6 anos e a mãe, aos 13, conta que tudo aconteceu quando ele morava com sua irmã, em Miracema, no Rio de Janeiro. Por lá, frequentava cultos na igreja e “às vezes dava uma arranhada no ministério de louvor”, o departamento religioso que se dedica à música. Até que sofreu um acidente de moto, passou por uma cirurgia e ficou acamado.
Certo dia, um rapaz passou por sua janela, disse que tinha visto Jamil cantando na igreja e o convidou para fazer uma gravação no estúdio. Do encontro, saiu uma regravação de “Deus cuida de mim”, de Kleber Lucas, e a música em que ele considerou sua voz ruim. “E foi assim que eu comecei minha carreira. Foi desse jeito, no susto.”
Hoje, o rapaz que fez o convite pela janela é padrinho de sua filha e, embora tenha estimulado Jamil a entrar no meio gospel, trabalha com o funk secular (como é chamado o que não faz parte do universo religioso).
Do funk ao trap
MC Jamil
Reprodução/Instagram
Aos 31 anos, Jamil comemora as mudanças musicais no cenário gospel, que tem ficado mais aberto a diferentes ritmos.
“Antes, eu tinha vergonha quando falava que cantava funk gospel, porque quase ninguém mais fazia.”
“Não era vergonha de fazer funk gospel, porque eu faço para Deus, mas sim porque, às vezes, via que era só eu fazendo isso, ou só eu e mais um”, lembra.
“E hoje em dia tem muito mais gente fazendo trap, funk… É um privilégio ver isso acontecer, ver o povo cantando e adorando em forma de funk gospel, em forma de trap como adoração. Se é para Deus, então é uma adoração.”
Apesar do crescimento, Jamil ainda sente que há preconceito diante do funk gospel.
Ele conta que, depois de sua música “Tropa de Jesus” se tornar viral, há cerca de três anos, muitas pessoas o convidaram para cantar em igrejas. Mesmo assim, muitos pastores ainda eram contra o ritmo. Por isso, ele decidiu incluir outra vertente musical no repertório.
“Por isso, eu fui também para essa área do trap, porque muitas igrejas têm preconceito, sim, com o funk gospel. Quando me chamam para fazer agenda e falam que o pastor não curte funk, eu falo: ‘Olha, eu tenho trap também, pode ser?'”
O trap gospel é mais aceito nas igrejas por ter artistas renomados no gênero há mais tempo, explica Jamil.
“Tem o Pregador Luo, o Ton Carfi, o Victin, o 2metro… A gente vê Deus ali, quando eles transmitem o trap.”
‘Isca’
MC Jamil
Reprodução/Instagram
Jamil não ouve música secular. “Eu sou bem sincero, já ouvi muito, mas hoje eu não ouço mais.”
Para compor suas músicas, troca ideias com parceiros de criação. Um deles é Tonzão Chagas, que já foi do cenário gospel e também integrou o grupo Os Hawaianos. Jamil, inclusive, foi DJ de Tonzão no período em que o artista ficou longe do funk.
“Eu não preciso nem ouvir uma música do secular para compor uma música aqui no gospel. Às vezes, eles trazem vertentes para mim, e eu também levo palavras para eles para ver se podem ser usadas no gospel como uma isca, como uma estratégia para chamar pessoas”, afirma.
Para exemplificar, ele cita a “Tropa de Jesus”. “Pô, hoje todo mundo fala na rua ‘minha tropa’. Então, a gente mudou e fez a tropa de Jesus.”
Outra estratégia para atrair pessoas para o universo cristão está nos convites para os eventos nas igrejas. “Quando os pastores vão levar alguma atração, a gente sempre pede para levar um convidado que não seja da igreja, para ele poder ver que, na igreja, não é só aquela coisa de orar.”
“É bom você chamar esses amigos para ir nesse tipo de evento, para ele saber que não é algo careta. Você não vai para ficar lá orando, de joelho. Você vai para um evento desses para dançar, cantar, pular, se alegrar.”
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