Percentual de brasileiros sem instrução ou sem concluir o ensino fundamental cai de 63% para 35% entre 2000 e 2022, diz IBGE


O Censo também revela que a frequência escolar aumentou em todas as faixas etárias até 17 anos, e a proporção dos brasileiros com nível superior quase triplicou nesse período. Apesar dos avanços, as desigualdades na educação ainda existem. O IBGE divulgou nesta quarta-feira (26) dados do Censo sobre a educação nas últimas duas décadas. O Brasil não conseguiu cumprir a meta de colocar todas as crianças na pré-escola, mas a frequência nas salas de aula melhorou.
É um quarteto fantástico. As meninas não têm dúvidas de que os estudos vão levá-las mais longe.
“Estudo leva para frente, abre muitas portas”, diz uma estudante.
“Todo dia a gente busca aprender cada dia mais”, afirma outra.
“Querer o futuro, querer sempre evoluir”, diz outra estudante.
“Eu tenho vários amigos conhecidos que já desistiram da escola. Eu brigo e peço para eles voltarem”, conta uma estudante.
O percentual de brasileiros sem instrução ou sem concluir o ensino fundamental caiu de 63% para 35% entre os anos 2000 e 2022. O Censo do IBGE também revela que a frequência escolar aumentou em todas as faixas etárias até 17 anos de idade. Só caiu entre 18 e 24 anos porque, segundo o IBGE, tem mais jovens se formando na idade adequada.
“O dado de 2000, a gente tem muitos jovens que se formavam no ensino médio com 19, 20, 21 anos. Ao longo desses últimos 20 anos, a gente foi regulando esse fluxo escolar. Então, mais jovens estão se formando na idade adequada”, afirma a pesquisadora do IBGE Juliana Souza de Queiroz.
E a proporção dos brasileiros com nível superior quase triplicou nesse período.
Percentual de brasileiros sem instrução ou sem concluir o ensino fundamental cai de 63% para 35% entre 2000 e 2022, diz IBGE
Jornal Nacional/ Reprodução
A educação no país teve avanços nos últimos anos, mas as desigualdades ainda existem. Algumas metas do Plano Nacional de Educação não foram atingidas, como a universalização do ensino na pré-escola. A frequência escolar de crianças de 4 a 5 anos de idade foi de quase 87% em 2022. A meta um do Plano Nacional era que todas essas crianças já estivessem estudando.
“Quando você tem uma criança fora da creche, da pré-escola, não é só ela que está se prejudicando, é a família também economicamente falando. Porque tem alguém fora do mercado de trabalho para tomar conta dessa criança. Às vezes, é a irmã mais velha, o irmão mais velho. Às vezes é a própria mãe, às vezes o pai. Ou seja, cai a renda familiar por causa desse problema estrutural do Brasil”, explica a especialista em educação Andréa Ramal.
O Censo mostra ainda que, apesar da proporção da população preta e parda com nível superior completo ter aumentado mais de cinco vezes, o universo de brasileiros brancos com faculdade é duas vezes maior. Sarah Sena estudou em escola pública, foi boa aluna e conquistou o sonho de cursar Comunicação na Universidade Federal do Rio de Janeiro.
“Exigia muita dedicação, muita concentração, muita responsabilidade com meus estudos, mas ver os resultados hoje é maravilhoso e gratificante demais”, conta a estudante Sarah Sena.
Percentual de brasileiros sem instrução ou sem concluir o ensino fundamental cai de 63% para 35% entre 2000 e 2022, diz IBGE
Jornal Nacional/ Reprodução
Mais estudantes poderiam estar no mesmo caminho de Sarah.
“Na educação, o Brasil não tem feito o dever de casa, e isso por décadas. Entra governo e sai governo e começam de novo as políticas educacionais, os programas de formação de professores. Só que tudo começa do zero, como se nada tivesse sido feito. Então, nós precisaríamos de uma política de longo prazo”, afirma Andréa Ramal.
“Meu sonho é que nosso país seja mais abrangente, tenha oportunidades para todos, independente da cor, independente da renda familiar. Mas que ele seja, de fato, um país que acolhe todos e que todos também tenham uma vida digna”, diz Sarah Sena.
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