Prefeitura de SP pede que empresa de ônibus suspenda contrato com irmã do número 2 do PCC, investigada pela PF


Patrícia Soriano é irmã de Roberto Soriano, que já foi apontado pelas autoridades como um dos líderes do PCC. A concessionária Movebuss aparece no inquérito da Operação Mafiusi, no Paraná, que apura desde 2024 o envolvimento de integrantes de facção criminosa com a Ndrangheta, grupo mafioso da calábria, no Sul da Itália. Polícia Federal investiga mais duas empresas de ônibus de SP por ligação com PCC
A Prefeitura de São Paulo, por meio da SPTrans, pediu para que a empresa de ônibus Movebuss, conveniada ao município, suspenda qualquer relação comercial com Patrícia Soriano, irmã de Roberto Soriano, que já foi apontado pelas autoridades como um dos líderes do PCC.
A partir de uma delação, a Polícia Federal passou a rastrear as movimentações financeiras de Patrícia. A instituição afirma que a mulher recebeu quase R$ 228 mil da Movebuss e que “é notável que os depósitos ocorrem de forma fragmentada, mensalmente, desde 2020 até outubro de 2022”.
“A SPTrans enviou carta, nesta sexta-feira [4], para a concessionária Movebuss recomendando que suspenda imediatamente qualquer negociação comercial com a empresa Patricia Soriano Transportes 293 EIRELI. Após denúncias divulgadas por veículos de imprensa, a partir de uma delação na Operação Mafiusi da Polícia Federal, descobriu-se que a concessionária Movebuss realizava repasses suspeitos a parentes de lideranças do crime organizado, incluindo a empresa de Patrícia Soriano”, disse a companhia.
A prefeitura se referiu à reportagem ‘Polícia Federal investiga mais duas empresas de ônibus de SP por ligação com PCC’, publicada em março.
As duas empresas que são alvos da Polícia Federal são a Movebuss e a Transunião. Ambas aparecem no inquérito da Operação Mafiusi, que apura desde o ano passado o envolvimento de integrantes do PCC com a Ndrangheta, grupo mafioso da Calábria, no Sul da Itália.
Ônibus da Transunião
Abraão Cruz/TV Globo
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A Transunião opera 51 linhas na Zona Leste da capital paulista e transporta mais de 260 mil pessoas por dia.
Em 2020, um ex-diretor da empresa foi assassinado a tiros na capital. Dois anos depois, a polícia prendeu os suspeitos. Um deles era Jair Ramos de Freitas, que foi solto um mês depois.
Nas contas bancárias dele, a Polícia Federal detectou uma movimentação financeira de mais de R$ 32 milhões entre 2020 e 2022. A maior parte desse valor veio da Transunião, e os investigadores afirmam que “não há notas fiscais” entre a empresa e Jair Ramos.
A PF concluiu que as fontes de renda de Jair aumentaram mais de 1.000% entre 2020 e 2021, e que neste período o dinheiro movimentado por ele também foi bem maior do que o declarado à Receita.
Os investigadores dizem ver indícios de que a estrutura financeira comandada por Jair é utilizada para fins de lavagem de dinheiro ou como conta de passagem para pagamentos relacionados ao crime organizado.
O que dizem os citados
Em nota, a Transunião disse que não tem nenhum envolvimento com organizações criminosa e que está à disposição da polícia para colaborar com as investigações.
A defesa de Jair Ramos de Freitas, que recebeu os repasses da empresa, afirma que se trata de dinheiro lícito e que há documentos que comprovam isso.
A Movebuss também disse que não tem relação com o crime organizado, e que os pagamentos feitos a Patrícia Soriano, irmã de um integrante da facção, são porque ela aluga ônibus para a empresa.
A TV Globo não conseguiu contato com Patrícia Soriano.
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